Até pouco tempo, a poupança era a principal referência de renda fixa para os brasileiros. Mas apesar de oferecer alta liquidez e baixo risco, seu rendimento é menor e frequentemente perde para a inflação. A saída, então, é explorar outras possibilidades nesse mercado.

Tesouro Direto, CDBs, LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures são nomes bastante mencionados quando se fala nessa família de aplicações financeiras. Porém, eles  oferecem diferentes níveis de risco e têm papéis diversos dentro de uma carteira de investimentos saudável.

A partir de agora, vamos conhecer mais detalhes sobre a renda fixa e entender quais são as alternativas que você pode buscar para enriquecer o seu portfólio e torná-lo mais resiliente. Aproveite a leitura!

O que é renda fixa?

Todo investimento de renda fixa funciona como um tipo de empréstimo reverso: quem tem recursos empresta dinheiro para uma instituição por determinado período. Em troca, recebe os juros no vencimento da aplicação. 

Dessa maneira, as aplicações de renda fixa são a forma como os bancos e outras companhias captam recursos para financiar suas atividades. Justamente por isso, os riscos e as regras de cada aplicação variam. Falaremos disso mais adiante.

As aplicações desta categoria têm algumas características em comum, que são:

1 – Taxa de rentabilidade conhecida no momento de investir 

Toda aplicação de renda fixa rende a uma taxa conhecida no momento da contratação, ou seja, é tem um rendimento predeterminado.

Assim, ainda que essa taxa se baseie em outro indicador financeiro (100% do CDI, por exemplo), já se sabe de antemão que o investimento acompanhará o desempenho desse indicador. O mesmo vale para aplicações cujo rendimento é baseado no IPCA, no IGP-M, e assim por diante.

Por exemplo: imagine que o CDI esteja em 5% ao ano. Logo, uma aplicação que promete um rendimento de 100% do CDI renderá 5% ao final desses 12 meses. Caso outra aplicação ofereça 90% do CDI, a taxa será 90% desses 5%, ou seja, 4,5% no período. Veja no esquema a seguir:

CDI hoje = 5% ao ano, por exemplo.

Investimento que rende 100% do CDI = (5%) x 1,00 = 5%
Investimento que rende 90% do CDI = (5%) x 0,9 = 4,5%

O rendimento de um investimento de renda fixa pode ser prefixado, pós-fixado ou misto. Confira:

  • rendimento prefixado: taxa definida, como 10% ao ano, por exemplo;
  • rendimento pós-fixado: rentabilidade baseada em um indicador, como 100% do CDI, por exemplo;
  • rendimento híbrido ou misto: taxa é dada por uma parte prefixada e outra atrelada a um indicador, como 3% + IPCA, por exemplo. Na prática, significa que o investimento paga 3% ao ano + a variação do IPCA (inflação oficial do Brasil) no período da aplicação.

2 – Prazo de vencimento definido

Essas aplicações também têm um prazo de vencimento. Na prática, ele significa em que data o banco ou a empresa devem devolver os recursos que você emprestou em troca de determinada rentabilidade. 

Aliás, é por isso que mesmo os investimentos com liquidez diária têm uma data de vencimento, ainda que ela possa ser renovada. 

Já em relação ao tipo de resgate, as aplicações de renda fixa podem ter:

  • liquidez diária: os investimentos podem ser resgatados a qualquer momento, sem penalidade;
  • liquidez no vencimento: existe um prazo combinado para resgatar os recursos, de modo a não prejudicar as atividades de quem tomou o dinheiro emprestado. Caso necessário, é possível solicitar o resgate antecipado, porém há encargos adicionais que podem resultar em prejuízo.

3 – Aplicações rendendo a juros compostos

Um mecanismo exclusivo da renda fixa é o efeito multiplicador dos juros compostos. Como eles são calculados sobre o valor aplicado e esse valor vai aumentando ao longo do tempo, o saldo das suas aplicações cresce exponencialmente.

Imagine um investimento com rentabilidade de 10% ao ano. Se você aplicar R$ 1 mil e não fizer nenhuma aplicação adicional, terá R$ 1.100 ao final de um ano, R$ 1.210 ao fim de dois anos (R$ 1.100 + 10%), e assim por diante. 

Haverá um momento em que o valor dos juros ultrapassará o do capital inicial investido sem que você tenha que fazer nenhum esforço adicional para isso. Confira o exemplo:

tabela renda fixa

Agora, imagine o resultado se você pudesse manter o hábito de investir regularmente nesse tipo de aplicação. 

Veja as descrições das aplicações financeiras:

  • Poupança: investimento mais básico, seu rendimento é determinado pelo governo, é igual para todos os bancos e geralmente perde para a inflação. É isenta de Imposto de Renda (IR);
  • Tesouro Direto: plataforma de negociação de títulos de renda fixa que oferece três modalidades: Tesouro Selic (que acompanha a taxa básica de juros), Tesouro Prefixado (que renda a uma taxa fixa) e Tesouro IPCA (que oferece uma taxa prefixada, mais a variação da inflação medida pelo IPCA no período da aplicação). Todos os títulos estão sujeitos ao Imposto de Renda;
  • CDB: o Certificado de Depósito Bancário é um investimento versátil oferecido pelos bancos. Assim como o Tesouro, ele pode ser prefixado, pós-fixado (modalidade que acompanha o CDI) ou híbrido (geralmente é composto por uma taxa prefixada, mais a variação do IPCA). Além disso, está sujeito ao IR e pode ou não oferecer liquidez diária
  • RDB: também chamado de CDB das financeiras, o Recibo de Depósito Bancário tem as mesmas características. A diferença é a instituição emissora, que não costuma ser um banco;
  • LC: a Letra de Crédito é menos popular do que o CDB, mas também é um instrumento usado pelos bancos e financeiras para captar recursos, oferecendo as mesmas modalidades;
  • LCI/LCA: as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio são títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar atividades nesses setores da economia. São isentas de IR;
  • CRI/CRA: semelhantes à LCI e LCA, os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio são emitidos por empresas privadas e não oferecem garantia do FGC. Também são isentos de IR;
  • Debêntures: títulos privados emitidos por empresas para financiar seus projetos. Não têm garantia do FGC e podem ou não ser isentas de IR.

Mas e quanto à poupança?

Também considerada como renda fixa, a poupança é o investimento mais tradicional do mercado brasileiro. No entanto, seu rendimento é baixo e ela geralmente perde para a inflação, mesmo isenta de Imposto de Renda (IR).

A caderneta é regulada pelo governo, que determina a sua rentabilidade e diz como os recursos aplicados devem ser usados pelos bancos: nesse caso, em financiamentos imobiliários. 

Desde 4 de maio de 2012, o rendimento da chamada nova poupança é calculado da seguinte maneira:

  • Caso a taxa Selic esteja acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês + TR, a chamada taxa referencial, que hoje está zerada; 
  • Caso a taxa Selic esteja abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será 70% dessa taxa.

Antes disso, a poupança antiga rendia 0,5% ao mês + TR, independente do cenário.

Considerando o rendimento da poupança hoje, ela é uma solução para quem precisa guardar dinheiro e não sabe como investir. 

Porém, no longo prazo, ela causa a perda do poder de compra, uma vez que suas regras de rendimento dificilmente ganham da inflação.

Qual é o risco de investir em renda fixa?

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a renda fixa também oferece riscos. Usando novamente a lógica do empréstimo como exemplo, o principal risco é a falta de pagamento, ou seja, o risco de crédito da aplicação.

Outro fator que deve ser levado em conta antes de investir é o prazo da aplicação. Nesse caso, a decisão depende mais do seu planejamento financeiro do que das condições oferecidas pelo mercado.

Exemplificando, imagine que você tenha capital disponível para comprar um imóvel ou investir no seu negócio. Caso você aplique todo o dinheiro em um investimento de prazo mais longo, pode ser que você precise do dinheiro antes do esperado. 

Essa não é a situação ideal, pois resgatar um investimento de renda fixa de longo prazo incorre em tarifas que podem diminuir o valor do seu capital. E isso sem falar nas condições de mercado, que podem ser desfavoráveis na hora em que você precisar do dinheiro.

Dessa maneira, é possível categorizar essas aplicações da seguinte forma:

  • aplicações de risco baixo: títulos emitidos pelo governo ou com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (o famoso FGC, um fundo formado por bancos para restituir o dinheiro de investidores em caso de falência ou calote);
  • aplicações de risco médio: títulos públicos ou bancários com prazo de vencimento mais longo, considerando as mudanças que podem acontecer ao longo do tempo;
  • aplicações de risco alto: títulos emitidos por empresas privadas, cujas garantias são determinadas por extensos e complexos documentos (os  chamados prospectos).

Portanto, uma estratégia interessante para rentabilizar o seu patrimônio e torná-lo mais resistentes às mudanças no mercado e no cenário político é a diversificação dos seus investimentos: encontrar um equilíbrio ideal entre diferentes aplicações, considerando níveis de risco e prazos de resgate diferentes.

Quais são os investimentos de renda fixa disponíveis no mercado?

Na tabela a seguir, vamos conhecer quais são os investimentos de renda fixa, seu nível de risco e a quem eles se destinam.

tabela renda fixa 2

Como começar a investir em Renda Fixa

Em uma estratégia de investimentos, a renda fixa geralmente é direcionada para a preservação de capital e renda. Mas como vimos, é possível fazer várias combinações.

Veja a seguir como se planejar para explorar melhor as possibilidades que esse universo oferece:

1 – Analise quanto dinheiro você tem disponível para investir

Entender o valor disponível para investir é o primeiro passo para escolher a melhor alternativa para seu perfil e propósitos. Isso é necessário, pois muitos investimentos em renda fixa possuem um valor de aporte mínimo.

2 – Defina os prazos de acordo com seus objetivos

Tenha clareza dos seus objetivos ao investir para fazer aplicações cujos prazos atendam esses objetivos. Se você estiver investindo para a sua aposentadoria, por exemplo, não faz sentido manter o dinheiro em um investimento com liquidez diária, por exemplo.

Da mesma forma, se você sabe que pode precisar do valor em breve, não faz sentido investir todo o valor em uma aplicação com prazo longo de vencimento, olhando apenas para a rentabilidade.

Além disso, como geralmente há uma penalidade para resgatar investimentos antes do prazo, você pode ter prejuízo ao solicitar o resgate antecipado.

3 – Estude quais investimentos mais se encaixam em seu perfil

Nos investimentos em Renda Fixa há diversos itens, com diferentes tributações, riscos e prazos. Antes de selecionar entre eles, estude, pesquise e conte com a ajuda de um especialista para lhe ajudar a escolher o que mais combina com você.

4 – Diversifique sua carteira

Mesclar investimentos com diferentes prazos e tipos de rentabilidade é uma boa maneira de incrementar o seu portfólio. Por isso, é muito importante contar com um suporte de empresas especializadas no mercado.

Fundos de renda fixa: uma forma de otimizar a sua carteira

Para quem já ultrapassou o valor da garantia do FGC ou precisa de ajuda para selecionar suas aplicações, os fundos de investimento que aplicam em renda fixa podem ser uma alternativa. Os tipos são:

Tipos de fundos de Renda FixaNível de riscoPrincipais característicasTem liquidez?
Fundo DIConservadorInveste em títulos públicos ou aplicações de baixo risco Liquidez diária
Fundo de Longo Prazo (LP)Conservador / ModeradoA carteira é composta por um mix de aplicações de baixo risco e ativos com prazo de vencimento maior, o que possibilita um incremento nos resultadosGeralmente, tem um prazo de resgate de dois dias úteis. Dependendo da estratégia, no entanto, o prazo de resgate pode ser maior.
Fundo de Crédito Privado (CP)Moderado / AgressivoInveste em títulos emitidos por bancos ou empresas, buscando retorno maior que a renda fixa conservadoraPor conta da estratégia, tem prazo de resgate maior. Pode chegar a 30 ou até 60 dias corridos.
Fundo de debêntures Moderado / AgressivoInveste em títulos emitidos por empresas para financiar seus projetos de longo prazoPor conta da estratégia, tem prazo de resgate maior. Pode chegar a 30 ou até 60 dias corridos.
Fundo de Direitos Creditórios (FIDC)Moderado / AgressivoInveste em títulos relacionados às contas a receber das empresasPor conta da estratégia, tem prazo de resgate maior. Pode chegar a 30 ou até 60 dias corridos.

Como obter crédito usando investimentos de renda fixa 

Assim como outras opções de ativos financeiros, os investimentos em renda fixa também podem ser elegíveis para o Crédito com Garantia de Investimentos (CGI).

Apesar de já ser conhecido pelo público Private, esse segmento ainda é uma relativa novidade no Brasil e costuma ficar escondido nas plataformas de bancos e corretoras. 

A Nobli, porém, é a primeira fintech brasileira especializada nesse tipo de operação e oferece a taxa de juros mais baixa do mercado: a partir de 0,79% ao mês.

Seja para tirar um projeto do papel ou atender alguma emergência, o CGI é uma oportunidade de obter dinheiro rápido sem precisar resgatar seus investimentos.

E agora que você já conhece as diferentes nuances da renda fixa, que tal ver na prática como investir de forma mais inteligente? Baixe grátis o ebook Como Montar a Carteira de Investimentos Ideal e saiba mais!