Na hora de algum imprevisto, resgatar um fundo de investimento acaba sendo uma alternativa para quem tem esse tipo de aplicação. Mas será que essa é a forma mais inteligente de se capitalizar?

Algumas regras e o próprio momento do mercado financeiro podem prejudicar a rentabilidade de uma aplicação resgatada antes do prazo adequado. Além disso, dependendo do tipo de fundo, o resgate pode levar um pouco mais de tempo.

Se você já se deparou com siglas como D+2, D+5, D+30 e até D+60, já tem alguma ideia do que isso significa. Vamos falar mais sobre essas siglas ao longo deste post.

Antes de tomar a sua decisão, levar em conta o planejamento financeiro faz toda a diferença: se o seu estiver em dia, você saberá exatamente o que fazer, mesmo diante de situações que não estavam no radar.

Para ajudar você nessa missão, reunimos as informações mais importantes para levar em conta antes de resgatar um fundo de investimentos. Aproveite para tirar as suas dúvidas e, caso necessário, rever os seus planos.

Como funciona o resgate de um fundo de investimento?

Os fundos de investimento, como você já deve saber, funcionam como condomínios: cada cota representa uma parte do patrimônio do fundo.

Dependendo do nível de sofisticação da estratégia de investimentos, o saque dos recursos pode levar mais ou menos tempo para ocorrer. 

Além disso, como esses fundos costumam investir em mais de um ativo, os prazos de resgate também podem ser diferentes.

É por isso que, nesse mercado, é obrigatório especificar os seguintes prazos:

  • prazo de cotização: período que a gestão do fundo leva para usar o dinheiro dos cotistas para comprar ativos ou para vender esses ativos e convertê-los em dinheiro.
  • prazo de liquidação: período que a gestão leva para depositar o dinheiro nas contas dos cotistas após um pedido de resgate;
  • prazo de resgate: é a soma do período de cotização e do período de liquidação.

Essas informações podem ser encontradas no site ou na lâmina do fundo de seu interesse (documento que contém todas as informações necessárias para investir).

O que é D0, D+2, D+30 ou D+60?

Os prazos para resgatar fundos de investimento são expressos por meio da seguinte nomenclatura: D + n (a quantidade de dias até a conclusão da operação).

Assim sendo, se um fundo oferece resgate no mesmo dia, esse prazo estará expresso em D0

Caso outro fundo tenha o prazo de resgate em D+2, por exemplo, significa que todo o processo de cotização e liquidação leva dois dias após o pedido.

Alguns pontos importantes para prestar atenção:

1 – Há fundos que levam até dois meses para serem resgatados

Geralmente os fundos multimercados e de renda variável levam mais tempo para serem resgatados. Por isso, não é incomum ver fundos com prazo de resgate em D+30 ou D+60, por exemplo.

2 – Preste atenção se os prazos são contados em dias úteis ou dias corridos

Existe uma diferença entre prazo em dias úteis e prazo em dias corridos. No primeiro caso, sábados, domingos, feriados e dias em que a bolsa de valores não funciona não contam. 

Sendo assim, tanto a cotização quanto o próprio resgate em si podem demorar um pouco mais para acontecer.

3 – Existe um horário limite para aplicações e pedidos para resgatar fundo

Geralmente, há um horário determinado na política do fundo em que você pode pedir o resgate para ter o dinheiro no prazo combinado. Esse horário está expresso junto às informações sobre os prazos, na lâmina do fundo.

Mas caso o seu pedido seja feito depois, não se preocupe! Basta começar a contar o prazo a partir do dia útil seguinte. Novamente, vale prestar atenção aos fins de semana, feriados e dias úteis.

Resgatar fundo de investimento: como declarar no Imposto de Renda?

Para declarar o resgate de um fundo de investimentos, você precisa aguardar a emissão de um documento chamado Informe de Rendimentos

Ele deve ser emitido pela sua corretora até um dia antes da abertura do prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda.

Nesse documento, constam as seguintes informações:

  • Sua posição de investimentos no fundo em 31 de dezembro do ano referente ao da declaração;
  • A mesma posição em 31 de dezembro do ano anterior;
  • Os rendimentos do fundo ao longo do período.

Esses valores já estão deduzidos do Imposto de Renda, que é recolhido automaticamente pela corretora a cada seis meses (por ocasião da cobrança do imposto come-cotas), e também caso você tenha feito algum resgate no meio do caminho.

Por isso, você precisará apenas copiar as informações fornecidas por sua corretora no momento de declarar o seu IR. Todas as indicações necessárias (código da aplicação, saldo e rendimentos) estarão no Informe.

Os códigos usados no programa da Receita Federal são:

  • Para declarar a posição de investimentos na guia Bens e Direitos:
  1. Código 71: fundos com carteira de Curto Prazo (geralmente em Renda Fixa);
  2. Código 72: fundos de Longo Prazo (Renda Fixa, Multimercado) e FIDC;
  3. Código 74: fundos de Ações e ETFs.
  • Para declarar os rendimentos, caso tenham sido maiores que R$ 0,00:
  1. Código 26: outros, na aba Rendimentos Isentos e Não Tributáveis para fundos de Debêntures Incentivadas;
  2. Código 06: rendimentos de aplicações financeiras, na aba Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva.

Resgatar fundo de investimento, quando vale a pena?

Como cada tipo de investimento atende a necessidades diferentes, cada um tem o seu prazo ideal de resgate.

Investimentos com mais liquidez, por exemplo, são ideais se você precisa de dinheiro rápido para gerar caixa. É o caso do Tesouro Selic, dos CDBs com liquidez diária e dos fundos de renda fixa com resgate em poucos dias.

Já as aplicações com liquidez no vencimento ou o próprio investimento em fundos com estratégia mais sofisticada miram o longo prazo: construir patrimônio, financiar alguma aquisição no futuro, guardar dinheiro para a aposentadoria, para a faculdade dos filhos e assim por diante.

No caso dessas aplicações, caso o resgate ocorra antes da hora ideal, isso pode ter um impacto significativo na rentabilidade dos seus investimentos, seja pelo momento do mercado (ações ou fundos em baixa, por exemplo), seja pelas taxas de resgate antecipado.

Dessa forma, é muito importante organizar as suas finanças pessoais para evitar que as situações imprevisíveis atrapalhem o seu caminho. 

Uma das formas de tomar esse cuidado é por meio da manutenção da sua reserva de emergência, aquela quantia investida em aplicações com liquidez imediata e que podem ser facilmente usadas para resolver esse tipo de situação. 

Outra forma, ainda pouco explorada, é usar o crédito com garantia de investimentos como uma ferramenta para se capitalizar. Esta é, aliás, uma das formas mais baratas de conseguir crédito no Brasil, com taxas a partir de 0,79% ao mês. 

Para você ter uma ideia, a taxa média dos empréstimos com garantia de imóvel ou veículo ficam em 1% ao mês, o que já faz uma grande diferença no orçamento.

Agora que você tem uma ideia de como é resgatar um fundo de investimentos, que tal conferir um material completo que vai te mostrar como turbinar os seus investimentos? Baixe grátis o e-book Será que está na hora de resgatar os meus investimentos? e tire suas dúvidas!